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#26: O verdadeiro segredo da longevidade (que começa na infância)

Atividade física é um remédio

EDIÇÃO #26

The Peds Journal

A newsletter da pediatria baseada em evidência - com leveza, profundidade e algumas risadas, por que não?!

Fatores de risco preveníveis…

Se a gente pudesse prescrever pra uma criança um “remedinho” que prevenisse uma série de doenças, dentre elas alguns tipos de CÂNCER, será que a gente prescreveria?!

Pois é. Atividade física é esse tal remedinho. Por que NÃO estamos prescrevendo como deveríamos?

🧠 Como você vai ficar mais inteligente hoje

Tema: Modalidades esportivas na infância: como e quando começar

Fonte: Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) – Documento Científico (Jan/2026) [Acesse o documento completo aqui]

  • Por que você deveria se importar

  • Você acha que sabe, mas…

  • O que o documento realmente orienta

  • O que orientar na prática

  • Em 1 minuto: o que você precisa lembrar

Por que você deveria se importar?

Porque a prática de atividade física na infância é tema recorrente em consultório, mas ainda cercado de dúvidas, medos e orientações pouco padronizadas.

E foi justamente para contribuir de forma objetiva e prática para essa discussão que este artigo, elaborado pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), foi desenvolvido.

O documento tem como objetivo apresentar modalidades esportivas comuns na nossa realidade, discutir seus benefícios para a saúde e orientar como iniciar essas práticas de forma segura e compatível com a rotina familiar.

Para isso, os autores selecionaram modalidades amplamente praticadas no Brasil, como natação, esportes coletivos (futebol, basquete, vôlei e handebol) e artes marciais, escolhidas pela sua popularidade e pelo elevado número de crianças e adolescentes expostos a elas no dia a dia.

Mais do que falar genericamente sobre “atividade física”, o artigo propõe uma ponte direta entre a evidência científica e a orientação prática no consultório pediátrico, ajudando o pediatra a orientar famílias com mais segurança e menos achismo.

Bora entender isso melhor!

Você acha que sabe, mas…

Quando o assunto é atividade física na infância, é muito comum a orientação ficar genérica demais: “precisa se mexer”, “faz bem pra saúde”, “qualquer esporte serve”.

O documento de hoje ajuda justamente a sair desse lugar vago e traz a discussão para algo muito mais concreto: quais modalidades são mais praticadas no nosso país, quais benefícios estão associados a elas e como iniciar de forma segura e compatível com a rotina familiar - o que é extremamente importante na prática, e extremamente negligenciado por muitos profissionais!

Outro ponto importante que o artigo deixa claro é que a escolha da modalidade não deve ser aleatória, nem baseada apenas em preferência dos pais ou modismos.

As modalidades analisadas foram selecionadas pela alta prevalência de prática entre crianças e adolescentes brasileiros e pelo impacto que elas têm na saúde quando bem orientadas.

Ou seja: o foco aqui não é “atividade física em abstrato”, mas orientação prática, baseada na realidade do consultório e das famílias.

E falando em prática pediátrica, não esqueça que nesse sábado, dia 24 de janeiro, temos o Guideline do Pediatra Referência: o maior congresso online de pediatria de consultório, pra você dominar de uma vez por todas a construção do seu…

E o melhor: tudo isso por menos de R$200.

Só que assim, eu se fosse você, correria. Porque são os ÚLTIMOS dias pra garantir a sua vaga. Depois não diz que eu não avisei…

Mas vamos voltar ao documeto…

O que o documento realmente orienta

Natação 🏊‍♂️

Segundo o documento, a natação é uma das modalidades mais precocemente iniciadas na infância, especialmente por ser vista como uma atividade segura e de baixo impacto.

Entre os benefícios descritos estão o desenvolvimento global da coordenação motora, melhora do condicionamento cardiorrespiratório e fortalecimento muscular de forma equilibrada.

A natação pode ser introduzida ainda nos primeiros anos de vida (lembrete: após os 6 meses, segundo a SBP), desde que respeitadas as condições de segurança, supervisão adequada e adaptação progressiva da criança ao meio aquático.

A SPSP reforça que o ambiente e a qualificação do local são determinantes para que a prática seja benéfica.

Esportes Coletivos 

Os esportes coletivos (futebol, basquete, vôlei e handebol, etc) aparecem no documento como modalidades extremamente populares no Brasil e com benefícios que vão além do aspecto físico.

A SPSP destaca ganhos em coordenação motora, agilidade, resistência e condicionamento físico.

Além disso, o artigo aponta benefícios relacionados à socialização, trabalho em equipe e respeito a regras, aspectos importantes do desenvolvimento infantil e adolescente.

Para esses esportes coletivos, o documento é claro ao orientar que o início mais adequado ocorre entre os 3 e 5 anos, fase em que a criança já apresenta maior organização motora, coordenação e capacidade de compreensão de regras simples.

Ah, e a SPSP ressalta que, nesse período, a prática deve ser lúdica, com foco em movimentos básicos (correr, saltar, lançar, chutar) e sem cobrança por desempenho ou competição formal…

É pé no chão, diversão, movimento, socialização.. não é competição de futuros jogadores profissionais do futebol europeu, ok?!

Artes Marciais 🥋 

As artes marciais também são abordadas no documento como modalidades frequentemente procuradas por famílias.

Segundo a SPSP, elas podem contribuir para o desenvolvimento da força, flexibilidade, equilíbrio e coordenação, além de favorecer aspectos como disciplina, autocontrole e concentração.

A introdução costuma ser mais adequada a partir dos 5 anos de idade, quando a criança apresenta melhor controle postural, coordenação e capacidade de seguir instruções, e assim como nas demais modalidades, a orientação adequada e o respeito à faixa etária são fundamentais para garantir benefícios e reduzir riscos de lesões.

A escolha da arte marcial deve considerar o perfil da criança e a qualidade da orientação oferecida, e a prática deve ser adaptada à idade, com regras claras de segurança e sem estímulo à agressividade - por isso, qualificação do instrutor e adequação do ambiente são pontos-chave também!

O que orientar na prática

O documento da SPSP ajuda o pediatra justamente a organizar essa conversa no consultório. A orientação prática deve considerar:

  • Idade da criança e estágio de desenvolvimento

  • Modalidade compatível com a fase motora

  • Rotina familiar, evitando práticas inviáveis a longo prazo

  • Ambiente seguro e profissionais capacitados

A SPSP reforça que não existe uma única modalidade “ideal”, mas sim a modalidade adequada para aquela determinada criança, naquele determinado momento…

Cabe ao pediatra, portanto, orientar quando iniciar cada modalidade, esclarecer expectativas irreais e acompanhar a prática esportiva ao longo do crescimento.

O artigo deixa implícito que a ausência de orientação profissional pode levar tanto à exposição precoce inadequada quanto à postergação (desnecessária!!!) da atividade física.

Ou seja: orientar atividade física também é cuidado pediátrico, e não um “extra”.

Em 1 minuto: o que você precisa lembrar

✅ A proposta desse documento é orientar quais modalidades esportivas são mais comuns no nosso país e como iniciar cada uma delas de forma segura.

✅ Natação: pode ser iniciada a partir dos 6 meses, com foco em adaptação ao meio aquático, não em técnica.

✅ Esportes coletivos (futebol, basquete, vôlei, handebol): início mais adequado entre 3 e 5 anos, de forma lúdica e sem cobrança de desempenho.

✅ Artes marciais: geralmente indicadas a partir dos 5 anos, respeitando maturidade motora e regras de segurança.

✅ A escolha da modalidade deve considerar idade, desenvolvimento, interesse da criança e rotina familiar.

✅ Orientar atividade física é atribuição do pediatra, não um detalhe opcional da consulta. Nunca esqueça disso.

E se você chegou até aqui, parabéns…

Você acabou de transformar uma orientação genérica (“atividade física faz bem”) em conduta clínica concreta, baseada em um documento que fala a língua do pediatra brasileiro hehehe

Saber quando iniciar, com qual modalidade e com quais cuidados é o que diferencia a recomendação bem-intencionada da orientação realmente segura. E agora você sabe!!

E é esse tipo de cuidado, específico, possível e embasado, que fortalece o vínculo com as famílias e qualifica você como um verdadeiro pediatra de consultório!!

Semana que vem nos vemos, nesse mesmo batcanal! Não esquece de compartilhar a nossa news com aquele(a) colega pediatra que precisa dela (mas escolhe alguém legal, viu?!) rs

Beijinhos científicos,

Gabi do PDC 💛