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#14: Paracetamol, autismo e fake news
A ciência por trás do “paracetadrama”
EDIÇÃO #14
The Peds Journal
A newsletter da pediatria baseada em evidência - com leveza, profundidade e algumas risadas, por que não?!
PARACETALOKO… (sério)
Se cada vez que alguém culpasse o paracetamol por algo a gente ganhasse um real, já dava pra bancar o cafezinho do plantão (Nespresso, hein, não é nem o café com BPA da enfermaria do IAMSPE kkk).. Mas calma, antes de cancelar o nosso analgésico/antitérmico favorito, vamos entender o que a ciência (e não o Twitter, rs) tem a dizer sobre isso.
🧠 Como você vai ficar mais inteligente hoje
Tema: Esclarecimentos sobre o uso de Paracetamol na gestação e risco de Transtorno do Espectro Autista
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP, 2025–2028). Publicado em 29 de setembro de 2025 [🔗acesso ao Documento na íntegra]
Por que você deveria se importar?
Você acha que sabe, mas…
O que mostram as evidências
Como orientar gestantes com segurança
O que NÃO fazer diante das fake news
Em 1 minuto: o que você precisa lembrar
Por que você deveria se importar?
Porque primeiro: alguma gestante vai te perguntar isso numa consulta pré-natal, e você vai fazer cara de cenoura (quem pegou a referência, pegou…)
E em segundo porque, em tempos de manchetes sensacionalistas e declarações políticas que viralizam, nós, médicos sérios, continuamos sendo a principal referência de informação confiável para as famílias.
E quando o assunto envolve autismo e gestação, a responsabilidade fica ainda maior. O alerta da SBP vem justamente para contrabalançar a enxurrada de informações imprecisas que circularam após o pronunciamento do presidente dos EUA (pois é, é daí que vem essa fofoca toda…), e reforçar que a medicina baseada em evidência ainda é o nosso norte.

E antes de mergulhar no tema, já anota aí: se você quer entender ainda mais sobre TEA e o que realmente existe de evidência sobre o assunto, se inscreve AGORA no PedJourney, o evento da Black Friday do PDC!
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Você acha que sabe, mas…
Nem toda associação é causalidade. O artigo lembra que, embora alguns estudos tenham encontrado possíveis correlações entre o uso de paracetamol na gestação e TEA, as limitações metodológicas são enormes… variando desde amostras pequenas até falta de padronização nos critérios de exposição e desfecho.
A revisão sistemática de Prada et al. (Environmental Health, 2025), por exemplo, encontrou resultados heterogêneos e não pôde nem realizar metanálise. Ou seja: evidência fraca demais para qualquer recomendação prática.
E o que a SBP reforça? Que o bom senso clínico continua sendo o melhor guia (mas ta em falta esse né, menina?! kkk). E que, até o momento, não há base científica para afirmar que o paracetamol causa autismo.
O que mostram as evidências
O documento destaca o estudo mais robusto até hoje sobre o tema, publicado no JAMA (Ahlqvist et al., 2024).
Essa coorte nacional sueca acompanhou quase 2,5 milhões de crianças e comparou inclusive irmãos expostos e não expostos ao paracetamol dentro da mesma família (caso você não lembre, é um dos desenhos mais poderosos para controlar fatores genéticos e ambientais)
E o resultado? Nenhuma relação causal foi encontrada entre o uso de paracetamol na gestação e TEA, TDAH ou deficiência intelectual.
A SBP portanto está alinhada a entidades de referência como a Academia Americana de Pediatria e American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), que mantém o paracetamol como analgésico/antitérmico de escolha na gestação, reforçando apenas o uso racional e o diálogo médico-paciente.
Como orientar gestantes com segurança
Primeiro ponto: não é pra sair prescrevendo ou proibindo o paracetamol de forma genérica. O papel do pediatra (na verdade, de toda a equipe perinatal) é ajudar a gestante a entender o risco-benefício de cada conduta, com base em evidência, não em manchete de jornal.
A SBP reforça que o uso do paracetamol continua sendo seguro durante a gestação, desde que:
seja utilizado na menor dose eficaz,
pelo menor tempo possível, e
com indicação médica clara (ex: febre, dor moderada, desconforto agudo).
Nenhum outro analgésico tem o mesmo perfil de segurança na gestação e substituir o paracetamol por anti-inflamatórios, por exemplo, pode gerar riscos reais ao feto, especialmente no terceiro trimestre.
Aqui, o mais importante é comunicação e contexto: explique à gestante que a ausência de evidência causal não é o mesmo que evidência de dano, e que o maior risco está em automedicação, doses excessivas ou uso prolongado sem necessidade.
O que NÃO 🚫 fazer diante das fake news
Parece besteira e muito óbvio, mas lembrem-se: o óbvio SEMPRE precisa ser dito - principalmente em épocas de redes sociais (kkkrying).
Portanto, o principal antídoto para a DESinformação é a informação, de qualidade, séria e embasada. O que NÃO fazer:
1️⃣ Não entre na onda do “proíbe tudo”: especialmente nas redes sociais. As recomendações da SBP, AAP e ACOG são claras: não há motivo para “demonizar” o paracetamol na gestação.
2️⃣ Não valide o medo sem fundamento. Evite frases como “melhor não arriscar” quando não há base científica pra isso. Isso só alimenta a desinformação e mina a confiança da paciente…
3️⃣ Não transforme exceção em regra. Casos isolados de uso abusivo ou associado a outros medicamentos não refletem a segurança do uso habitual.
4️⃣ Não ignore o impacto das palavras. O jeito como explicamos o risco muda a percepção da paciente (e pode ser a diferença entre ela confiar em você ou no TikTok)
Em resumo: a gente combate fake news com didática, calma e evidência. O papel do pediatra é ser o farol no meio do caos informacional, e não mais uma lanterna piscando no escuro da internet 😅
Em 1 minuto: o que você precisa lembrar
✅ Não existe evidência robusta ligando paracetamol na gestação ao autismo.
✅ O estudo do JAMA 2024 é, até hoje, o de melhor qualidade metodológica.
✅ Paracetamol continua sendo o analgésico e antitérmico de escolha na gestação.
✅ Use sempre na menor dose eficaz e pelo menor tempo necessário.
✅ Mantenha o foco: decisões clínicas se baseiam em ciência, não em trending topics hehe
Se você chegou até aqui, parabéns.. sua imunidade contra fake news está mais forte que o café do refeitório do hospital kkkk
E de novo: combater a desinformação é um jogo de COMUNICAÇÃO. E se você quer turbinar ainda mais a sua comunicação com as famílias e o crescimento do seu consultório, não perde o Ped Journey, o evento da Black Friday do PDC.
Vai ser o fim de semana que vai virar o seu jogo na pediatria, além de claro, de dar acesso à nossa oferta MAIS MALUCA de black friday…
Até lá, nos vemos semana que vem, nesse mesmo batlocal, pra combater fake news e sensacionalismos, juntos!
Beijinhos científicos,
Gabi do PDC